Inaugurada em 14 de maio de 2026, a exposição foi dividida em duas temporadas complementares. Na primeira temporada, a mostra apresenta a evolução do sistema carcerário por meio de fotografias e textos expositivos, reunindo imagens e reportagens de periódicos antigos da Cadeia Velha, possivelmente a primeira estrutura prisional da cidade, bem como da Ilha do Presídio, que ganhou notoriedade como espaço de encarceramento político e de isolamento durante os anos da ditadura.
Em parceria com o Museu Júlio de Castilhos, a exposição apresenta fotografias históricas da Casa de Correção de Porto Alegre. Também expõe um conjunto de registros fotográficos do Juiz de Direito Sidinei Brzuska, que documentam a precariedade e a realidade do antigo Presídio Central. Além disso, são exibidas imagens da nova Cadeia Pública de Porto Alegre, em colaboração com a Polícia Penal, evidenciando os avanços e os desafios contemporâneos da gestão penitenciária.
A mostra é enriquecida por itens relacionados a alguns desses estabelecimentos prisionais, cedidos pelo Museu da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Processos da primeira fase da Justiça Federal do Rio Grande do Sul, de 1890 a 1937, e do Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul estão contemplados na exposição, como o processo do Major Aragon. Datado de 1952 e julgado pela Justiça Estadual, o processo refere-se à denúncia oferecida contra Manoel de Aragón, relacionada a dois grandes incêndios que destruíram edifícios históricos de Porto Alegre.
Também são apresentados dez banners informativos que retratam algumas das principais operações deflagradas pela Polícia Federal (PF) no Rio Grande do Sul, relacionadas ao combate a crimes federais. Entre elas, destaca-se a Operação Toupeira, realizada em 2006, na qual o grupo criminoso utilizava como fachada uma obra de reforma no centro de Porto Alegre para escavar um túnel de aproximadamente 70 metros, com o objetivo de furtar as agências centrais da Caixa Econômica Federal e do Banrisul.
Também integra a mostra a Operação Pedra Redonda, deflagrada em 2008, que desarticulou um grupo criminoso responsável pela comercialização de drogas sintéticas de uso controlado por meio de farmácias virtuais na internet.
Por fim, no Espaço Expositivo, está a Exposição “Artinclusão: A Vanguarda Antecipada”, composta por telas pintadas por internos do Instituto Psiquiátrico Forense (IPF), produzidas durante as oficinas “A cura pela arte”, do Projeto Artinclusão. As atividades foram ministradas pelo artista plástico e oficineiro Aloízio Pedersen e tinham como proposta a utilização da arteterapia como instrumento de reabilitação psicossocial dos internos.
A abertura da exposição foi realizada no dia 14 de maio com a palestra “História Social do Crime” com a historiadora e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Dra. Cláudia Mauch. Em sua fala, a historiadora trabalhou os seguintes temas: a historicidade do crime e das instituições da justiça criminal, a história social do crime, e a importância dos arquivos do crime.
O evento foi aberto ao público e contou com a presença da coordenadora da Comissão de Memória, Juíza Federal Andréia Castro Dias Moreira e com a mediação do Juiz Federal Roberto Schaan Ferreira, da 11ª Vara Federal de Porto Alegre. A abertura do evento contou com a fala da diretora do Foro da JFRS, Juíza Federal Ingrid Schroder Sliwka, que recepcionou os presentes.
A segunda temporada, que será lançada em outubro deste ano, irá direcionar o olhar para as ações penais e a classificação dos crimes federais, propondo uma reflexão sobre a diversidade da jurisdição federal e o impacto social das decisões.
A Exposição


















